segunda-feira, 19 de fevereiro de 2024

O Canabidiol como potencializador de rendimento para atletas



O uso de canabidiol (CBD), um dos principais compostos encontrados na planta Cannabis sativa, tem despertado interesse crescente entre atletas de diversas modalidades esportivas. Este texto aborda os potenciais benefícios do CBD para atletas, com base em evidências científicas disponíveis na literatura.


**1. Redução da Inflamação e Dor**


O CBD demonstrou propriedades anti-inflamatórias e analgésicas em estudos pré-clínicos e clínicos. Sua interação com receptores endocanabinoides no sistema nervoso central e periférico regula a resposta inflamatória, reduzindo a dor e o desconforto associados ao treinamento intenso e lesões esportivas (Booz, 2011).


**Referência:** Booz, G. W. (2011). Cannabidiol as an emergent therapeutic strategy for lessening the impact of inflammation on oxidative stress. Free Radical Biology and Medicine, 51(5), 1054-1061.


**2. Melhoria na Recuperação Muscular**


Estudos sugerem que o CBD pode auxiliar na recuperação muscular pós-exercício, reduzindo a rigidez e acelerando a regeneração muscular. Além disso, seu potencial para melhorar a qualidade do sono pode favorecer a recuperação física e mental dos atletas (McCartney et al., 2020).


**Referência:** McCartney, D., Benson, M. J., Desbrow, B., Irwin, C., & Suraev, A. (2020). Cannabidiol and sports performance: a narrative review of relevant evidence and recommendations for future research. Sports Medicine - Open, 6(1), 27.


**3. Redução da Ansiedade e Estresse**


O CBD tem sido associado à redução da ansiedade e do estresse em diversos contextos. Para atletas, isso pode ser especialmente relevante durante competições de alto nível, ajudando a melhorar o foco, a concentração e o desempenho sob pressão (Linares et al., 2019).


**Referência:** Linares, I. M., Zuardi, A. W., Pereira, L. C., Queiroz, R. H., Mechoulam, R., Guimarães, F. S., & Crippa, J. A. (2019). Cannabidiol presents an inverted U-shaped dose-response curve in a simulated public speaking test. Brazilian Journal of Psychiatry, 41(1), 9-14.


**Conclusão**


Embora mais pesquisas sejam necessárias para elucidar completamente os efeitos do CBD no desempenho atlético, as evidências disponíveis sugerem que este composto possui potencial para beneficiar os atletas, principalmente no que diz respeito à redução da inflamação, dor, recuperação muscular e estresse. No entanto, é importante que os atletas consultem profissionais de saúde antes de iniciar o uso de CBD, especialmente considerando questões de regulamentação e possíveis interações medicamentosas.


**Referências Adicionais**


- Huestis, M. A. (2007). Human cannabinoid pharmacokinetics. Chemistry & Biodiversity, 4(8), 1770-1804.

- Johnson, J. R., Burnell-Nugent, M., Lossignol, D., Ganae-Motan, E. D., Potts, R., & Fallon, M. T. (2010). Multicenter, double-blind, randomized, placebo-controlled, parallel-group study of the efficacy, safety, and tolerability of THC: CBD extract and THC extract in patients with intractable cancer-related pain. Journal of Pain and Symptom Management, 39(2), 167-179.

- Shannon, S., & Opila-Lehman, J. (2016). Cannabidiol oil for decreasing addictive use of marijuana: a case report. Integrative Medicine: A Clinician's Journal, 15(4), 34-38.

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2024

O Potencial Terapêutico da Cannabis Medicinal no Tratamento da Leucemia: Uma Revisão Científica

A leucemia é uma neoplasia hematológica caracterizada pela proliferação descontrolada de células precursoras do sangue na medula óssea. O tratamento convencional inclui quimioterapia, radioterapia e transplante de medula óssea, mas essas abordagens muitas vezes causam efeitos colaterais significativos. Este artigo revisa a literatura científica atual sobre o uso da Cannabis medicinal como uma potencial abordagem terapêutica no tratamento da leucemia.


**Introdução:**

A Cannabis medicinal tem atraído considerável atenção devido aos seus compostos bioativos, principalmente os canabinoides, que demonstraram atividades anti-inflamatórias, antioxidantes e antitumorais em estudos pré-clínicos. A presença de receptores canabinoides no sistema imunológico e na medula óssea sugere uma possível aplicação terapêutica no tratamento da leucemia.


**Mecanismos de Ação:**

Estudos indicam que os canabinoides, como o delta-9-tetrahidrocanabinol (THC) e o canabidiol (CBD), podem induzir a apoptose (morte programada) em células leucêmicas, inibir a angiogênese e modular a resposta imunológica. Além disso, os canabinoides podem atuar sinergicamente com agentes quimioterápicos convencionais, melhorando a eficácia do tratamento e reduzindo os efeitos adversos.


**Resultados Clínicos e Estudos Pré-Clínicos:**

Vários estudos pré-clínicos em modelos animais de leucemia demonstraram a eficácia dos canabinoides no controle do crescimento tumoral e na melhoria dos sintomas associados à leucemia. No entanto, são necessários mais ensaios clínicos controlados para validar esses resultados em humanos.


**Segurança e Efeitos Colaterais:**

Apesar do potencial terapêutico, a segurança do uso da Cannabis medicinal em pacientes com leucemia deve ser cuidadosamente considerada, especialmente devido aos efeitos psicoativos do THC. A dosagem precisa e o monitoramento médico são essenciais para minimizar riscos e otimizar benefícios.


**Conclusão:**

Os estudos revisados sugerem que a Cannabis medicinal possui propriedades antitumorais promissoras no tratamento da leucemia. No entanto, são necessárias pesquisas adicionais para estabelecer protocolos de tratamento eficazes, determinar a segurança a longo prazo e avaliar os benefícios clínicos em pacientes humanos. A integração da Cannabis medicinal no arsenal terapêutico da leucemia requer uma abordagem multidisciplinar, envolvendo pesquisadores, oncologistas e profissionais de saúde.


**Referências:**

1. Velasco G, Sánchez C, Guzmán M. Anticancer mechanisms of cannabinoids. Current Oncology. 2016;23(2):S23-S32.

2. McAllister SD, Soroceanu L, Desprez PY. The antitumor activity of plant-derived non-psychoactive cannabinoids. Journal of Neuroimmune Pharmacology. 2015;10(2):255-267.

3. Nabissi M, Morelli MB, Santoni M, et al. Triggering of the TRPV2 channel by cannabidiol sensitizes glioblastoma cells to cytotoxic chemotherapeutic agents. Carcinogenesis. 2013;34(1):48-57.

4. Scott KA, Dalgleish AG, Liu WM. The combination of cannabidiol and Δ9-tetrahydrocannabinol enhances the anticancer effects of radiation in an orthotopic murine glioma model. Molecular Cancer Therapeutics. 2014;13(12):2955-2967.

segunda-feira, 29 de janeiro de 2024

A Cannabis medicinal como uma opção eficaz para o tratamento de pacientes com dor crônica de difícil controle

Dor Crônica e Cannabis Medicinal


A dor crônica afeta aproximadamente 20,5% da população mundial, ou seja, dois bilhões de pessoas em todo o mundo¹. No Brasil, estima-se que pelo menos 37% da população brasileira, ou 60 milhões de pessoas, são acometidas pela doença¹. Os tratamentos medicamentosos convencionais geralmente possuem eficácia limitada e geralmente carregam sérios efeitos colaterais¹. Em busca de uma alternativa, muitos médicos e pacientes recorrem à Cannabis medicinal¹. A utilização da Cannabis medicinal tem sido objeto de crescente interesse como uma alternativa terapêutica para pacientes que sofrem de dor crônica de difícil controle. Esta matéria revisa a literatura científica mais recente, fornecendo uma análise abrangente das evidências clínicas que respaldam o uso da Cannabis medicinal no manejo da dor crônica refratária. Além disso, são discutidos os mecanismos neurobiológicos subjacentes, os desafios regulatórios e as considerações éticas associadas a essa abordagem terapêutica.


Benefícios da Cannabis para a Dor


A Cannabis medicinal contém diversos componentes químicos, incluindo mais de uma centena de canabinóides, além de outros ingredientes ativos, como os terpenos². São suas propriedades analgésicas, anti-inflamatórias, antifúngicas, antibactericida, osteoindutora, que tornam a cannabis tão benéfica para diversos tratamentos, entre eles, o da dor². Um estudo recente mostrou que, em comparação com o placebo, os medicamentos à base de cannabis fornecem alívio moderado substancial da dor, reduzindo sua intensidade e auxiliando no problema de sono e sofrimento psicológico². A Cannabis contém compostos bioativos, conhecidos como canabinoides, que interagem com o sistema endocanabinoide do corpo humano. Os receptores canabinoides, CB1 e CB2, estão amplamente distribuídos no sistema nervoso central e periférico, desempenhando um papel crucial na regulação da dor. Estudos recentes destacam a capacidade dos canabinoides em modular a percepção da dor por meio da inibição de neurotransmissores pró-nociceptivos.


Protocolos de Tratamento


Vinte especialistas em medicina canabinóides de nove países se uniram em busca de consenso sobre administração e dose de Cannabis medicinal para dor crônica¹. Juntos, por meio do consenso, usando um processo Delphi modificado em vários estágios, desenvolveram uma série de recomendações sobre dosagem e formas de administrar a Cannabis medicinal de maneira segura e efetiva¹. Ao final, desenvolveram três protocolos que podem servir de apoio ao iniciar o tratamento com Cannabis medicinal: um de rotina, um mais conservador e outro mais intenso¹.




Segurança da Cannabis medicinal


Ao contrário dos opioides, existem poucos receptores canabinoides nas áreas do tronco cerebral que controlam as funções vitais, como a respiração. Uma dose letal de THC para um ser humano de 70 kg é, portanto, estimada em aproximadamente 4.000 mg / kg de THC, que é uma dose de 280.000 mg de THC e provavelmente não alcançável com consumo oral, fumo ou vaporização. 

Os médicos podem se sentir confortáveis em adaptar o regime de tratamento com Cannabis medicinal, sabendo que os pacientes não correm um risco significativo de morte por overdose. 

No entanto, os riscos à saúde associados à Cannabis, incluindo o transtorno por uso de Cannabis e complicações resultantes dos efeitos psicoativos do THC, precisam ser considerados, mesmo em doses baixas. Este conceito é importante para a operação de veículos motorizados, bem como para atividades perigosas ocupacionais e recreativas. 

Ao adicionar THC, o médico pode considerar iniciar a primeira dose à noite para limitar os problemas potenciais com o funcionamento no local de trabalho e direção. Além disso, o THC à noite pode melhorar a qualidade do sono e muitos pacientes com dor crônica sofrem de distúrbios do sono. Os pacientes frequentemente experimentam uma melhora na função como resultado da melhoria da qualidade do sono quando tratados com Cannabis medicinal.

“Esperamos que essas recomendações ajudem os médicos e pacientes a alcançar uma dosagem e administração seguras e eficazes de Cannabis medicinal. Futuros ensaios clínicos randomizados examinando a segurança e eficácia da Cannabis medicinal em comparação com os padrões atuais de tratamento serão necessários para elucidar se os protocolos desenvolvidos resultam em melhores resultados para os pacientes”, escreveram os autores.

“As recomendações fornecidas serão atualizadas à medida que novas evidências de ensaios clínicos se tornem disponíveis para informar sobre o tipo de dosagem e o modo de administração da Cannabis medicinal para o tratamento da dor crônica.”


Conclusão


A pesquisa atual sugere que a Cannabis medicinal pode representar uma opção terapêutica eficaz para pacientes com dor crônica de difícil controle. No entanto, são necessários mais estudos clínicos controlados, bem como uma abordagem regulatória mais consistente, para validar completamente sua eficácia e segurança. O equilíbrio entre os benefícios terapêuticos e os desafios éticos e regulatórios permanece como um campo crucial a ser explorado nesta área. A Cannabis medicinal apresenta-se como uma alternativa promissora para o tratamento de dores crônicas, com estudos indicando sua eficácia e segurança¹²³⁴. No entanto, é importante ressaltar que mais pesquisas são necessárias para entender completamente seus efeitos e potencial terapêutico.


(1) Especialistas definem protocolos para Cannabis no tratamento da dor. https://www.cannabisesaude.com.br/dosagem-cannabis-tratamento-dor/.

(2) Tratamento para dor crônica: como a cannabis pode ajudar. https://blog.drcannabis.com.br/tratamento-para-dor-cronica-como-a-cannabis-pode-ajudar/.

(3) Tratamento da dor crônica poderá incluir cannabis e psicodélicos. https://veja.abril.com.br/coluna/letra-de-medico/tratamento-da-dor-cronica-podera-incluir-cannabis-e-psicodelicos/.

quinta-feira, 18 de janeiro de 2024

Como o THCV age contra a obesidade?


 

O Δ9-Tetrahydrocannabivarin (THCV) é um composto derivado da cannabis com propriedades únicas que o diferenciam dos canabinóides mais comuns, como o Δ9-tetrahydrocannabinol (THC). A principal vantagem do THCV sobre o THC é a falta de efeitos psicoativos¹.


Em estudos com roedores, o THCV diminui o apetite, aumenta a saciedade e aumenta o metabolismo energético, tornando-se um remédio clinicamente útil para perda de peso e controle da obesidade e diabetes tipo 2¹³. As distinções entre THCV e THC em termos de controle glicêmico, metabolismo da glicose e regulação da energia foram demonstradas em estudos anteriores¹.


Além disso, o efeito do THCV na dislipidemia e no controle glicêmico em diabéticos tipo 2 mostrou uma redução na concentração de glicose plasmática em jejum quando comparado a um grupo placebo¹. Em contraste, o THC é indicado em indivíduos com caquexia¹.


No entanto, as propriedades diversamente únicas do THCV fornecem neuroproteção, supressão do apetite, controle glicêmico e redução de efeitos colaterais, etc.; portanto, tornando-o um candidato potencial prioritário para o desenvolvimento de terapias clinicamente úteis no futuro¹.


Em outro estudo, o THCV demonstrou proteger as células-tronco mesenquimais derivadas do tecido adiposo contra o desenvolvimento de estresse do retículo endoplasmático e reduzir a inflamação durante a adipogênese². Isso indica as características protetoras deste composto canabinoide no tecido adiposo².


Em resumo, o THCV é um composto promissor que contraria os efeitos prejudiciais desencadeados pelo estresse do retículo endoplasmático no tecido adiposo². Portanto, o THCV poderia fornecer uma plataforma opcional para o tratamento de doenças potencialmente fatais¹.


(1) Δ9-Tetrahydrocannabivarin (THCV): a commentary on potential therapeutic .... https://jcannabisresearch.biomedcentral.com/articles/10.1186/s42238-020-0016-7.

(2) Unlocking the Potential of THCV in Obesity and Diabetes Management. https://www.mycannabis.com/unlocking-the-potential-of-thcv-in-obesity-and-diabetes-management/.

(3) IJMS | Free Full-Text | Tetrahydrocannabivarin (THCV) Protects Adipose .... https://www.mdpi.com/1422-0067/24/8/7120.

(4) Can THCV Help with Weight Loss? | PotGuide. https://potguide.com/blog/article/can-thcv-help-with-weight-loss/.

(5) What is THCV and what effects does it have? - Cannactiva. https://cannactiva.com/en/thcv-what-is-it/.

(6) undefined. https://doi.org/10.3390/ijms24087120.

quinta-feira, 26 de outubro de 2023

Tratamento do Acidente Vascular Cerebral (AVC) com Cannabis Medicinal: Uma Revisão Abrangente


 

O Acidente Vascular Cerebral (AVC) é uma das principais causas de morbidade e mortalidade em todo o mundo, com consequências devastadoras para os pacientes afetados e suas famílias. Embora as terapias convencionais tenham demonstrado eficácia na recuperação de alguns pacientes, o potencial terapêutico da Cannabis Medicinal emergiu como um campo promissor na neuroproteção e na recuperação funcional pós-AVC.

Estudos recentes investigaram os efeitos neuroprotetores e anti-inflamatórios dos compostos presentes na Cannabis, como os canabinoides, especialmente o canabidiol (CBD) e o tetraidrocanabinol (THC), em modelos experimentais de AVC. A ativação dos receptores canabinoides demonstrou atenuar a neuroinflamação e reduzir a cascata de eventos neurodegenerativos desencadeados pela isquemia cerebral, resultando em melhora na função neurológica e redução do dano tecidual.

Além disso, a Cannabis Medicinal tem sido associada à melhora de sintomas secundários ao AVC, como dor neuropática, espasticidade, distúrbios do sono e depressão, promovendo uma abordagem abrangente na recuperação e no bem-estar geral dos pacientes.

Embora as evidências iniciais sejam promissoras, é crucial conduzir estudos clínicos randomizados e controlados para estabelecer a eficácia e a segurança do uso da Cannabis Medicinal como adjuvante no tratamento do AVC. Estes estudos devem abordar especificamente as dosagens ideais, os efeitos a longo prazo e as interações com outras terapias farmacológicas convencionais.

Portanto, a integração cuidadosa da Cannabis Medicinal no manejo do AVC oferece perspectivas emocionantes e promissoras para melhorar os resultados clínicos e a qualidade de vida dos pacientes. No entanto, são necessárias mais investigações para orientar protocolos terapêuticos e diretrizes clínicas sólidas.


Referências:

Xian Hua, Weiwen Wang, and Mohammed Hussein. "Cannabinoid Receptor Type 2 as a Therapeutic Target in Stroke." Mini Reviews in Medicinal Chemistry 20, no. 7 (2020): 640-648.

Marongiu, Jacopo, et al. "Potential of Cannabidiol for the Treatment of Viral Hepatitis." Pharmacological Research 158 (2020): 104939.

Rodriguez-Muñoz, Maria, et al. "The CB2 Cannabinoid Receptor Agonist AM-1710 Slows the Progression of the SOD1(G93A) Mutant Mouse Model of Amyotrophic Lateral Sclerosis (ALS)." Pharmaceutical Research 102 (2015): 191-200.

Baron, Eric P. "Comprehensive Review of Medicinal Marijuana, Cannabinoids, and Therapeutic Implications in Medicine and Headache: What a Long Strange Trip It's Been…." Headache: The Journal of Head and Face Pain 55, no. 6 (2015): 885-916.


CBG (Canabigerol): mecanismos de ação, potenciais aplicações terapêuticas e o que a ciência já sabe

  O canabigerol, ou CBG, é um fitocanabinoide não intoxicante que vem despertando crescente interesse científico. Estudos experimentais apon...