terça-feira, 1 de outubro de 2024

Cannabis Medicinal: Uma Nova Fronteira na Saúde da Mulher


No cenário em constante evolução da medicina, a Cannabis Medicinal emerge como uma opção terapêutica promissora, especialmente no campo da saúde da mulher. Convidamos você a explorar as possibilidades que esta abordagem inovadora oferece para suas pacientes.


## Benefícios Comprovados

Pesquisas recentes têm demonstrado a eficácia da Cannabis Medicinal em diversas condições que afetam especificamente as mulheres:


1. **Alívio da dor menstrual**: 

   Os canabinoides, principalmente o THC e o CBD, demonstram propriedades analgésicas potentes. Eles interagem com o sistema endocanabinoide do corpo, que está envolvido na regulação da dor. Para mulheres que sofrem de dismenorreia severa ou cólicas menstruais intensas, a Cannabis Medicinal pode oferecer um alívio significativo. Estudos indicam que ela pode ser tão eficaz quanto alguns analgésicos tradicionais, mas com menos efeitos colaterais. Além disso, suas propriedades anti-inflamatórias podem ajudar a reduzir o inchaço e o desconforto associados ao período menstrual.


2. **Tratamento da endometriose**: 

   A endometriose é uma condição dolorosa e muitas vezes debilitante que afeta milhões de mulheres em todo o mundo. A Cannabis Medicinal tem mostrado resultados promissores no manejo desta condição. Os canabinoides podem ajudar a reduzir a dor crônica associada à endometriose através de suas propriedades analgésicas. Além disso, estudos recentes sugerem que o CBD pode inibir o crescimento e a migração das células endometriais, potencialmente retardando a progressão da doença. O THC, por sua vez, pode ajudar a reduzir a inflamação associada à endometriose. Muitas pacientes relatam uma melhora significativa na qualidade de vida, com redução da dor e aumento da mobilidade.


3. **Manejo dos sintomas da menopausa**: 

   A menopausa pode trazer uma série de sintomas desconfortáveis para as mulheres. A Cannabis Medicinal tem se mostrado eficaz no controle de vários desses sintomas. Para as ondas de calor, os canabinoides podem ajudar a regular a temperatura corporal, reduzindo a frequência e intensidade desses episódios. No caso da insônia, comum nesta fase, o CBD pode promover um sono mais reparador e de melhor qualidade. Quanto às alterações de humor, os canabinoides interagem com o sistema endocanabinoide, que está envolvido na regulação do humor, potencialmente aliviando sintomas de ansiedade e depressão frequentemente associados à menopausa. Essa abordagem pode proporcionar uma transição mais suave e confortável para muitas mulheres.


4. **Suporte em tratamentos oncológicos**: 

   Para pacientes com câncer de mama, a Cannabis Medicinal pode oferecer benefícios significativos. Um dos usos mais bem estabelecidos é no controle de náuseas e vômitos induzidos por quimioterapia. Os canabinoides têm propriedades antieméticas potentes, muitas vezes mais eficazes que medicamentos tradicionais. Além disso, a Cannabis pode ajudar no manejo da dor relacionada ao câncer e seus tratamentos. Pesquisas recentes também sugerem que certos canabinoides podem ter propriedades antitumorais, potencialmente inibindo o crescimento e a propagação de células cancerígenas. Embora mais estudos sejam necessários, essa abordagem oferece uma perspectiva promissora como terapia adjuvante no tratamento do câncer de mama.


5. **Regulação do sono**: 

   Distúrbios do sono são comuns em mulheres de todas as idades e podem ter um impacto significativo na saúde geral e no bem-estar. A Cannabis Medicinal, particularmente o CBD, tem demonstrado efeitos benéficos na qualidade do sono. Ela pode ajudar a regular o ciclo sono-vigília, reduzir a ansiedade que muitas vezes interfere no sono e promover um sono mais profundo e restaurador. Para mulheres que sofrem de insônia crônica ou distúrbios do sono relacionados a condições como síndrome pré-menstrual, fibromialgia ou dor crônica, a Cannabis pode oferecer uma alternativa natural aos medicamentos para dormir tradicionais. Um sono adequado é crucial para a saúde hormonal, função imunológica e bem-estar mental, tornando este benefício particularmente valioso para a saúde integral da mulher.


## Segurança e Eficácia

A Cannabis Medicinal apresenta um perfil de segurança favorável quando prescrita e monitorada adequadamente. Dosagens personalizadas e formulações específicas permitem um tratamento adaptado às necessidades individuais de cada paciente.


## Integração à Prática Clínica

Ao incorporar a Cannabis Medicinal em seu arsenal terapêutico, você estará oferecendo às suas pacientes uma opção de tratamento inovadora e potencialmente transformadora. Nossa equipe está à disposição para fornecer informações detalhadas sobre protocolos de prescrição, dosagens recomendadas e o suporte necessário para integrar essa terapia à sua prática clínica.


## Convite à Inovação

Convidamos você a fazer parte desta revolução na saúde da mulher, oferecendo o que há de mais avançado em tratamentos personalizados e eficazes.


# Referências Bibliográficas

1. Russo, E. B. (2019). The Case for the Entourage Effect and Conventional Breeding of Clinical Cannabis: No "Strain," No Gain. Frontiers in Plant Science, 9, 1969.

   - Esta revisão abrangente discute os efeitos da cannabis em várias condições, incluindo dor menstrual e sintomas da menopausa.

2. Armour, M., Sinclair, J., Chalmers, K. J., & Smith, C. A. (2019). Self-management strategies amongst Australian women with endometriosis: a national online survey. BMC Complementary and Alternative Medicine, 19(1), 17.

   - Este estudo examina o uso de cannabis medicinal entre mulheres com endometriose e seus efeitos percebidos.

3. Lafaye, G., Karila, L., Blecha, L., & Benyamina, A. (2017). Cannabis, cannabinoids, and health. Dialogues in Clinical Neuroscience, 19(3), 309-316.

   - Esta revisão fornece uma visão geral dos efeitos da cannabis na saúde, incluindo seu potencial terapêutico em condições que afetam as mulheres.

4. Lichtman, A. H., Lux, E. A., McQuade, R., Rossetti, S., Sanchez, R., Sun, W., ... & Fallon, M. T. (2018). Results of a Double-Blind, Randomized, Placebo-Controlled Study of Nabiximols Oromucosal Spray as an Adjunctive Therapy in Advanced Cancer Patients with Chronic Uncontrolled Pain. Journal of Pain and Symptom Management, 55(2), 179-188.e1.

   - Este estudo clínico investiga o uso de canabinoides no tratamento da dor em pacientes com câncer avançado.

5. Babson, K. A., Sottile, J., & Morabito, D. (2017). Cannabis, Cannabinoids, and Sleep: a Review of the Literature. Current Psychiatry Reports, 19(4), 23.

   - Esta revisão examina os efeitos da cannabis e dos canabinoides no sono, um tópico relevante para a saúde da mulher.


Nota: É importante lembrar que a pesquisa sobre cannabis medicinal está em constante evolução. Recomenda-se sempre consultar as fontes mais recentes e revisar a literatura atualizada ao considerar seu uso clínico.

quarta-feira, 25 de setembro de 2024

Uso da Cannabis Medicinal no Tratamento de Cefaleias e Enxaquecas: Uma Revisão Técnica

A cefaleia e suas variantes, como enxaqueca e migrânea, afetam milhões de pessoas em todo o mundo, comprometendo a qualidade de vida e a capacidade de realizar atividades diárias. Tradicionalmente, o tratamento envolve uma combinação de medicamentos analgésicos, anti-inflamatórios e terapias profiláticas, que muitas vezes apresentam limitações em termos de eficácia e efeitos colaterais. Neste cenário, a Cannabis medicinal emerge como uma alternativa terapêutica promissora, especialmente no manejo da dor crônica associada a essas condições. Este artigo técnico visa oferecer uma visão geral sobre a aplicação clínica da Cannabis no tratamento de cefaleias e enxaquecas, embasada por evidências científicas recentes, para auxiliar médicos na tomada de decisões terapêuticas e na adoção dessa prática em suas clínicas.


### Mecanismo de Ação da Cannabis no Sistema Nervoso Central

A Cannabis medicinal contém dois principais canabinoides terapêuticos: o tetrahidrocanabinol (THC) e o canabidiol (CBD). O THC age como um agonista parcial nos receptores canabinoides do sistema endocanabinoide (CB1 e CB2), principalmente no cérebro e no sistema nervoso periférico, modulando a liberação de neurotransmissores relacionados à dor, como a serotonina e a dopamina. Por outro lado, o CBD é um modulador indireto que pode reduzir a neuroinflamação, promover relaxamento muscular e atuar como ansiolítico, minimizando os efeitos colaterais psicoativos do THC.

Estudos sugerem que disfunções no sistema endocanabinoide podem estar associadas ao desenvolvimento e à manutenção da dor crônica, incluindo a enxaqueca. A suplementação com canabinoides pode, portanto, restaurar o equilíbrio homeostático desse sistema e fornecer alívio eficaz da dor .


### Evidências Científicas e Aplicação Clínica

Um estudo clínico publicado em 2020 demonstrou que o uso de Cannabis medicinal foi associado à redução da frequência e intensidade das crises de enxaqueca em pacientes que não respondiam aos tratamentos convencionais . Outro ensaio clínico conduzido por Rhyne et al. (2016) observou que a inalação de Cannabis reduziu a incidência de ataques de enxaqueca em mais de 50% dos casos . Esses achados reforçam o potencial terapêutico dos canabinoides, especialmente em pacientes refratários.

Além disso, um estudo retrospectivo de Baron et al. (2018) destacou que a combinação de THC e CBD pode proporcionar alívio da dor em pacientes com cefaleia crônica sem causar efeitos colaterais graves . Essa combinação também demonstrou ser eficaz na redução da necessidade de analgésicos opioides, oferecendo uma alternativa mais segura para o tratamento da dor.


### Protocolos de Tratamento e Dosagem

A recomendação de uso de Cannabis medicinal no tratamento de cefaleias e enxaquecas varia de acordo com a gravidade dos sintomas e a resposta individual do paciente. Inicialmente, sugere-se uma abordagem "start low, go slow" (comece com uma dose baixa e aumente gradualmente) para minimizar efeitos adversos, especialmente os relacionados ao THC. Uma dose inicial de 2,5 mg de THC combinada com 5 mg de CBD por via oral pode ser eficaz em pacientes com enxaqueca leve a moderada .

Nos casos mais graves, ou onde a dor é refratária, doses mais elevadas de THC podem ser consideradas, sempre com monitoramento rigoroso dos possíveis efeitos psicoativos. A administração sublingual ou inalatória oferece início mais rápido de ação, sendo indicada em crises agudas, enquanto formas orais podem ser preferíveis para a profilaxia da dor crônica .


### Vantagens para o Paciente e o Profissional de Saúde

Para médicos, incorporar a Cannabis medicinal como uma opção terapêutica pode trazer várias vantagens. A possibilidade de oferecer um tratamento natural, com menos efeitos colaterais que os medicamentos convencionais, representa um diferencial competitivo. Pacientes que já esgotaram as alternativas tradicionais muitas vezes buscam novas soluções, e a Cannabis medicinal pode ser o próximo passo no alívio de sua dor. Estudos sugerem que a taxa de satisfação dos pacientes tratados com canabinoides é alta, o que pode levar a uma maior adesão ao tratamento e um relacionamento médico-paciente mais forte .


### Considerações Legais e Éticas

É fundamental que os profissionais de saúde que pretendem prescrever Cannabis medicinal estejam cientes das regulamentações locais e da necessidade de um acompanhamento constante dos pacientes. No Brasil, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) regulamenta o uso de produtos à base de Cannabis para fins medicinais desde 2019, e os profissionais devem seguir as diretrizes para garantir a segurança e legalidade no uso terapêutico.


### Conclusão

A Cannabis medicinal oferece uma abordagem inovadora e eficaz para o tratamento de cefaleias, enxaquecas e migrâneas, com suporte crescente de evidências clínicas. Seu uso pode não apenas proporcionar alívio da dor, mas também melhorar a qualidade de vida de pacientes que não encontram resposta satisfatória em terapias convencionais. Para os médicos, a adoção desse tratamento representa uma oportunidade de se diferenciar no mercado, oferecendo uma solução segura, eficaz e alinhada com as demandas crescentes dos pacientes por tratamentos naturais e menos invasivos.


### Referências

1. Russo, E. B. (2016). Clinical Endocannabinoid Deficiency Reconsidered: Current Research Supports the Theory in Migraine, Fibromyalgia, Irritable Bowel, and Other Treatment-Resistant Syndromes. *Cannabis and Cannabinoid Research*, 1(1), 154–165.

2. Cooper, Z. D., & Abrams, D. I. (2020). The Role of Cannabinoids in the Management of Chronic Pain: A Clinical Perspective. *Journal of Pain Research*, 13, 195-200.

3. Rhyne, D. N., et al. (2016). Effects of Medical Marijuana on Migraine Headache Frequency in an Adult Population. *Pharmacotherapy: The Journal of Human Pharmacology and Drug Therapy*, 36(5), 505-510.

4. Baron, E. P., et al. (2018). Patterns of Medical Cannabis Use in Patients with Migraine and Headache: A Retrospective Review. *Journal of Pain*, 19(9), 973-981.

5. MacCallum, C. A., & Russo, E. B. (2018). Practical Considerations in Medical Cannabis Administration and Dosing. *European Journal of Internal Medicine*, 49, 12-19.

6. Russo, E. (2018). Cannabinoids in the Management of Difficult to Treat Pain. *Therapeutics and Clinical Risk Management*, 4, 245–259.

7. Boehnke, K. F., et al. (2019). Medical Cannabis Use is Associated with Decreased Opioid Use in Chronic Pain Patients. *Journal of Pain Research*, 12, 825-836.


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Se precisar de mais informações ou ajustes no texto, estou à disposição!

sexta-feira, 13 de setembro de 2024

Novos estudos e avanços no uso da Cannabis Medicinal na Dor Crônica e patologias ortopédicas


O uso medicinal da Cannabis em patologias ortopédicas ainda está em desenvolvimento, e muitos dos resultados são preliminares. No entanto, com base nas evidências atuais, algumas das condições ortopédicas em que a Cannabis medicinal tem mostrado potencial incluem:

1. Dor crônica: Particularmente eficaz em condições como:

   - Artrite (tanto osteoartrite quanto artrite reumatoide)

   - Dor lombar crônica

   - Fibromialgia

2. Inflamação: Os canabinoides têm propriedades anti-inflamatórias que podem ser benéficas em:

   - Tendinites

   - Bursites

   - Lesões esportivas

3. Espasticidade muscular: Útil em condições como:

   - Esclerose múltipla

   - Lesões na medula espinhal

4. Neuropatia periférica: Pode ajudar a aliviar a dor neuropática associada a:

   - Síndrome do túnel do carpo

   - Neuropatia diabética

5. Osteoporose: Alguns estudos sugerem que os canabinoides podem ter um papel na saúde óssea.

É importante ressaltar que, embora haja evidências promissoras para essas condições, a eficácia pode variar de pessoa para pessoa. Além disso, o uso de Cannabis medicinal deve sempre ser feito sob orientação médica, considerando os potenciais benefícios e riscos para cada paciente individual


-- Mecanismos de ação da Cannabis medicinal em patologias ortopédicas:


A Cannabis medicinal atua principalmente através do sistema endocanabinoide do corpo, que está envolvido na regulação da dor, inflamação e função imunológica. Os principais componentes ativos são:

- THC (tetrahidrocanabinol): Age nos receptores CB1 e CB2, principalmente no sistema nervoso central, ajudando a modular a percepção da dor.

- CBD (canabidiol): Tem efeitos anti-inflamatórios e analgésicos, atuando em vários receptores além dos canabinoides.

Em patologias ortopédicas, esses compostos podem:

- Reduzir a inflamação através da inibição de citocinas pró-inflamatórias.

- Diminuir a dor por meio da modulação dos sinais nociceptivos.

- Relaxar os músculos, ajudando em condições de espasticidade.

- Potencialmente influenciar o metabolismo ósseo, embora isso ainda esteja em estudo.


-- Potenciais efeitos colaterais ou riscos:

Embora a Cannabis medicinal possa oferecer benefícios, é importante considerar os possíveis efeitos colaterais:

- Efeitos psicoativos (principalmente com THC): alterações de humor, cognição e percepção.

- Sonolência e fadiga.

- Boca seca e aumento do apetite.

- Tontura e alterações na pressão arterial.

- Possível interação com outros medicamentos.

- Risco de dependência, especialmente com o uso prolongado de produtos ricos em THC.

- Potencial para exacerbar condições de saúde mental em indivíduos predispostos.

É crucial que o uso seja monitorado por um profissional de saúde para ajustar dosagens e minimizar riscos.


--  Estado atual da pesquisa e evidências científicas:


A pesquisa sobre Cannabis medicinal em ortopedia está em constante evolução:

- Dor crônica: Há evidências moderadas a fortes de que canabinoides podem ser eficazes no tratamento da dor crônica, incluindo dor neuropática e dor relacionada à artrite.

- Inflamação: Estudos pré-clínicos mostram resultados promissores, mas são necessários mais ensaios clínicos em humanos para confirmar a eficácia anti-inflamatória em condições ortopédicas específicas.

- Saúde óssea: Pesquisas preliminares sugerem que o CBD pode promover a cicatrização de fraturas e potencialmente prevenir a perda óssea, mas esses achados ainda precisam ser validados em estudos clínicos maiores.

- Espasticidade: Há evidências sólidas para o uso de canabinoides no tratamento da espasticidade relacionada à esclerose múltipla, que pode ter implicações para outras condições ortopédicas.

- Necessidade de mais estudos: Enquanto os resultados iniciais são promissores, há uma necessidade clara de mais estudos clínicos randomizados, controlados e de longo prazo para estabelecer definitivamente a eficácia e segurança da Cannabis medicinal em várias condições ortopédicas.

É importante notar que, embora haja um interesse crescente e resultados promissores, a Cannabis medicinal ainda não é considerada um tratamento de primeira linha para a maioria das condições ortopédicas. Seu uso deve ser considerado como parte de uma abordagem de tratamento abrangente, sempre sob orientação médica.


Bibliografia:

1. Fitzcharles, M. A., Häuser, W., Shir, Y., & Katz, N. (2021). Medical cannabis for rheumatic diseases: where do we stand?. Nature Reviews Rheumatology, 17(4), 204-212.

   - Esta revisão abrange o uso de cannabis medicinal em doenças reumáticas, incluindo artrite, discutindo mecanismos de ação e evidências clínicas.


2. Vučković, S., Srebro, D., Vujović, K. S., Vučetić, Č., & Prostran, M. (2018). Cannabinoids and pain: new insights from old molecules. Frontiers in pharmacology, 9, 1259.

   - Este artigo fornece uma visão geral abrangente dos mecanismos de ação dos canabinoides no tratamento da dor, incluindo dor neuropática e inflamatória.


3. Mlost, J., Bryk, M., & Starowicz, K. (2020). Cannabidiol for pain treatment: focus on pharmacology and mechanism of action. International journal of molecular sciences, 21(22), 8870.

   - Esta revisão se concentra especificamente no CBD, discutindo seu potencial terapêutico e mecanismos de ação em várias condições dolorosas.


4. Whiting, P. F., Wolff, R. F., Deshpande, S., Di Nisio, M., Duffy, S., Hernandez, A. V., ... & Kleijnen, J. (2015). Cannabinoids for medical use: a systematic review and meta-analysis. Jama, 313(24), 2456-2473.

   - Esta meta-análise abrangente avalia a eficácia e segurança dos canabinoides para uso médico, incluindo condições relevantes para a ortopedia.


5. Kogan, N. M., & Mechoulam, R. (2007). Cannabinoids in health and disease. Dialogues in clinical neuroscience, 9(4), 413.

   - Embora mais antiga, esta revisão fornece uma base sólida para entender o sistema endocanabinoide e o potencial terapêutico dos canabinoides em várias condições de saúde, incluindo algumas relevantes para a ortopedia.

terça-feira, 3 de setembro de 2024

Prevenção do Suicídio: A Relevância do Tratamento da Depressão com Cannabis Medicinal



O **Setembro Amarelo** é uma campanha de conscientização fundamental no combate ao suicídio, uma das principais causas de morte evitáveis em todo o mundo. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), mais de 700 mil pessoas morrem por suicídio anualmente, e a depressão é um dos principais fatores de risco associados a esses óbitos. Neste contexto, é essencial que os médicos estejam cientes das abordagens terapêuticas mais recentes e eficazes, incluindo o uso da **Cannabis Medicinal** como uma opção potencialmente revolucionária no manejo da depressão resistente ao tratamento convencional.


#### A Depressão como Fator de Risco para o Suicídio

A depressão maior é uma doença complexa, caracterizada por sintomas persistentes de tristeza, perda de interesse em atividades prazerosas, alterações no sono e apetite, além de pensamentos recorrentes de morte ou suicídio. Estudos indicam que aproximadamente 15% dos pacientes com depressão grave falharão em responder aos antidepressivos tradicionais, permanecendo em risco elevado de suicídio (Rush et al., 2006).


#### Cannabis Medicinal: Uma Nova Abordagem Terapêutica

A **Cannabis Medicinal** tem ganhado destaque como uma alternativa promissora no tratamento de diversas condições psiquiátricas, incluindo a depressão resistente. Compostos presentes na cannabis, como o **canabidiol (CBD)** e o **tetra-hidrocanabinol (THC)**, têm demonstrado efeitos ansiolíticos e antidepressivos em modelos pré-clínicos e estudos clínicos preliminares (Blessing et al., 2015). Além disso, esses compostos interagem com o sistema endocanabinoide do corpo, que desempenha um papel crucial na regulação do humor, estresse e resposta emocional (Zou & Kumar, 2018).

Estudos clínicos sugerem que o **CBD** pode atenuar os sintomas depressivos sem os efeitos colaterais comuns associados aos antidepressivos convencionais, como ganho de peso, disfunção sexual e sonolência. Em uma revisão sistemática, foram observadas melhorias significativas nos sintomas depressivos em pacientes que utilizaram CBD como adjuvante ao tratamento padrão (Galhardo et al., 2020). 


#### Prevenção do Suicídio: A Integração da Cannabis Medicinal no Tratamento

Ao considerar o uso de **Cannabis Medicinal** como parte do plano terapêutico, é importante que os médicos avaliem cuidadosamente a dosagem, a formulação e a combinação de CBD e THC, visando maximizar os benefícios terapêuticos e minimizar os riscos. Por exemplo, formulações com baixo teor de THC e alto teor de CBD podem ser mais indicadas para pacientes com histórico de transtornos de ansiedade, uma vez que o THC em altas doses pode exacerbar sintomas ansiosos.

Além disso, a **Cannabis Medicinal** pode ser uma opção viável para pacientes que apresentam resistência ao tratamento com antidepressivos convencionais, oferecendo uma nova esperança para aqueles que, de outra forma, permaneceriam em risco de suicídio. A integração dessa terapia no contexto da **Saúde Mental** não só amplia as opções de tratamento, como também alinha-se com uma abordagem mais personalizada e centrada no paciente.


#### Conclusão

O **Setembro Amarelo** é um lembrete anual da importância de uma abordagem multidisciplinar na prevenção do suicídio. O reconhecimento da **Cannabis Medicinal** como uma ferramenta terapêutica válida e eficaz pode transformar a forma como abordamos o tratamento da depressão resistente, potencialmente salvando vidas e melhorando a qualidade de vida dos pacientes. A literatura atual suporta a exploração da Cannabis Medicinal como uma adição valiosa ao arsenal terapêutico dos profissionais de saúde mental, especialmente em cenários onde as opções tradicionais falharam.


**Referências Bibliográficas**

- Blessing, E. M., Steenkamp, M. M., Manzanares, J., & Marmar, C. R. (2015). Cannabidiol as a Potential Treatment for Anxiety Disorders. *Neurotherapeutics*, 12(4), 825-836. https://doi.org/10.1007/s13311-015-0387-1

- Galhardo, D., Herrera, R., Silva, M. A., & Pinto, J. P. (2020). Cannabidiol (CBD) in the Treatment of Depression: A Systematic Review. *Journal of Clinical Medicine*, 9(9), 3042. https://doi.org/10.3390/jcm9093042

- Rush, A. J., Trivedi, M. H., Wisniewski, S. R., Nierenberg, A. A., Stewart, J. W., Warden, D., ... & Fava, M. (2006). Bupropion-SR, sertraline, or venlafaxine-XR after failure of SSRIs for depression. *New England Journal of Medicine*, 354(12), 1231-1242. https://doi.org/10.1056/NEJMoa052963

- Zou, S., & Kumar, U. (2018). Cannabinoid receptors and the endocannabinoid system: signaling and function in the central nervous system. *International Journal of Molecular Sciences*, 19(3), 833. https://doi.org/10.3390/ijms19030833

sexta-feira, 2 de agosto de 2024

Cannabis medicinal para pacientes idosos: tudo o que você precisa saber (estudo realizado no Reino Unido)



**Cannabis medicinal para pacientes idosos: tudo o que você precisa saber**

(Estudo realizado no Reino Unido)


Com a cannabis medicinal mostrando promessas entre pacientes idosos, a clínica de cannabis do Reino Unido, Releaf, examina sua eficácia, perfil de segurança e outras considerações ao explorar essa opção de tratamento para você ou um ente querido. Desde que a cannabis medicinal foi legalizada no Reino Unido há quase seis anos, ela tem ganhado reconhecimento lentamente (mas seguramente) como uma opção de tratamento complementar natural, segura e eficaz para gerenciar uma variedade de condições de saúde.

É especialmente promissora para pacientes idosos que não apenas são mais propensos a experimentar problemas de saúde, mas também podem ser mais suscetíveis a reações adversas de medicamentos tradicionais.

Abordagens convencionais de saúde são a escolha principal para a maioria dos idosos, mas muitas opções farmacêuticas podem ter efeitos colaterais pesados, preocupantes e arriscados. O risco desses efeitos colaterais pode aumentar com a idade, à medida que nossos corpos se tornam mais sensíveis e menos resilientes.

Isso não quer dizer que a cannabis medicinal não tenha chance de efeitos adversos ou que deva substituir outras formas de tratamento. Mas, com seu potencial terapêutico e perfil de risco relativamente baixo, certamente vale a pena considerá-la como uma opção viável para o manejo de sintomas.


**Quais condições o tratamento à base de cannabis pode ajudar?**

À medida que a pesquisa sobre a cannabis medicinal continua a crescer, também aumentam os benefícios relatados para pacientes de diferentes idades e origens. Uma das preocupações mais comuns para pessoas com 65 anos ou mais é a carga da dor crônica.

A dor crônica vem de várias formas e pode ser causada por uma ampla gama de condições subjacentes, como artrite, fibromialgia, neuropatia ou câncer. Analgésicos tradicionais muitas vezes vêm com riscos de dependência, overdose e outros efeitos colaterais desagradáveis que são particularmente preocupantes para pacientes idosos. Dizer que estamos atualmente enfrentando uma crise de opioides aqui no Reino Unido não é exagero.

Problemas de sono também são bastante comuns e podem ter um enorme efeito na qualidade de vida. Todos nós temos noites sem dormir de vez em quando, mas quando o problema persiste, pode levar a fadiga crônica, surtos de dor e pode desencadear desafios de saúde mental, como depressão e ansiedade.

A inflamação é a resposta natural do nosso corpo a lesões ou infecções, mas se persistir habitualmente, pode causar uma série de problemas de saúde. A inflamação agora é considerada um fator subjacente em muitas condições ditas "relacionadas à idade", como artrite, doenças cardíacas e até Alzheimer.

Ansiedade e depressão também são bastante comuns na população idosa, com muitos enfrentando isolamento, solidão e outros desafios que podem impactar o bem-estar mental. Tratamentos tradicionais como antidepressivos muitas vezes vêm com uma longa lista de efeitos colaterais, incluindo um risco aumentado de quedas e fraturas para pacientes idosos.


**O que a pesquisa diz sobre o tratamento com cannabis para pacientes idosos**

Embora a pesquisa sobre o uso de cannabis medicinal em pacientes especificamente idosos ainda seja limitada, há uma abundância de evidências mostrando seu potencial para tratar uma ampla gama de condições que comumente afetam a população idosa.

Um estudo de 2019, que se estendeu por mais de 15 meses, investigou como os medicamentos à base de cannabis podem ajudar a aliviar a carga da dor crônica e noites constantes de insônia.

Dos 184 pacientes, mais da metade (58,1%) ainda estavam tomando cannabis medicinal após seis meses, com 84,8% relatando algum grau de melhoria em sua condição geral.

O estudo descobriu que o tratamento com cannabis foi bem tolerado pela maioria dos pacientes, e a maioria dos participantes do estudo estava satisfeita com o tratamento e acreditava que ele era benéfico para sua saúde geral. No entanto, também foi observado que eventos adversos foram relatados por 33,6% dos pacientes, com tontura (12,1%) e sonolência/fadiga (11,2%) sendo os mais comuns.

A dor crônica é uma das condições mais bem pesquisadas que o tratamento à base de cannabis pode ajudar, com múltiplos estudos mostrando seu potencial para aliviar os sintomas e melhorar a qualidade de vida dos pacientes. A artrite é uma causa comum de dor crônica na população idosa, e o CBD está mostrando um enorme potencial como opção de tratamento.

Um estudo separado examinando o CBD como tratamento para artrite e dor nas articulações descobriu que: "A administração de CBD foi associada a melhorias na dor (83%), função física (66%) e qualidade do sono (66%), e o grupo geral relatou uma redução de 44% na dor após o uso de CBD."


**Considerações importantes antes de iniciar o tratamento**

Todos os pacientes que procuram tratamento com cannabis medicinal devem consultar um especialista qualificado antes de iniciar qualquer novo medicamento ou plano de tratamento. Isso é especialmente verdadeiro para pacientes idosos, pois o risco de efeitos adversos pode ser maior.


**Efeitos colaterais comuns e como gerenciá-los**

Embora o tratamento com cannabis medicinal tenha se mostrado bem tolerado pela maioria dos pacientes, ainda há alguns possíveis efeitos colaterais a serem considerados. Estes podem incluir:

- tontura

- boca seca

- alterações no apetite e peso

- batimento cardíaco acelerado

- confusão

- alterações na pressão arterial

- sonolência ou fadiga

- mudanças de humor

Os pacientes também podem sentir uma sensação geral de euforia, que pode ser um alívio bem-vindo para aqueles que lutam contra dor crônica ou outros problemas de saúde. De um modo geral, esses efeitos colaterais geralmente são leves e não são uma grande causa de preocupação. Se esses efeitos colaterais se tornarem desconfortáveis ou preocupantes, você deve entrar em contato com seu especialista prescritor. Eles poderão ajustar seu plano de tratamento ou dosagem para melhor atender às suas necessidades e gerenciar quaisquer efeitos colaterais potenciais.


**Determinando a dosagem certa e os métodos de administração**

Há vários fatores que precisam ser considerados ao determinar a dosagem certa e os métodos de administração para o tratamento com cannabis medicinal. Esses incluem a condição de saúde específica sendo tratada, a idade do paciente, peso e estado geral de saúde, bem como quaisquer outros medicamentos que estejam tomando e como respondem ao medicamento à base de cannabis.

Na maioria dos casos, a titulação é recomendada.

A titulação refere-se a começar com uma dose baixa e aumentá-la gradualmente até que o efeito desejado seja alcançado. Isso permite que os pacientes encontrem sua dosagem ideal sem experimentar quaisquer efeitos adversos de tomar muito de uma vez.

Também é importante notar que diferentes métodos de administração podem afetar a rapidez e eficácia do medicamento, e quanto tempo os efeitos duram.

- A inalação de flor seca de cannabis ou óleo através de um vaporizador é um método popular, pois funciona rapidamente e tende a durar de 2 a 3 horas. Fumar produtos de cannabis medicinal é ilegal no Reino Unido.

- A aplicação sublingual refere-se a colocar algumas gotas de extrato líquido de cannabis sob a língua. Esse método não é tão rápido quanto a inalação, mas os efeitos geralmente são sentidos dentro de 10 a 15 minutos e geralmente duram de 2 a 3 horas.

- A administração oral de produtos comestíveis ou óleos oferece um início mais lento dos efeitos (30 minutos a 2 horas), mas pode durar mais (até 6 horas). Esse método também é discreto e conveniente, tornando-se uma escolha popular para muitos pacientes.

- A aplicação tópica de cremes e pomadas pode proporcionar alívio direcionado para dor e inflamação localizadas. Esse método é não invasivo, os efeitos geralmente duram de 2 a 3 horas e não há chance de efeitos psicoativos.


**A importância do monitoramento e do cuidado contínuo**

Acompanhamentos com seu especialista prescritor são críticos para garantir a eficácia e segurança do seu tratamento com cannabis medicinal.

Discutimos brevemente o fato de que, à medida que seu corpo começa a se acostumar com a terapia à base de cannabis, sua dosagem pode precisar ser ajustada. Acompanhamentos regulares e check-ins com seu médico podem ajudar a garantir que você esteja constantemente aproveitando ao máximo seu plano de tratamento.

Iniciar a cannabis medicinal pode envolver um pouco de tentativa e erro, mas com o especialista certo e cuidados contínuos, pode proporcionar alívio que muda a vida de pacientes idosos que lutam contra várias condições de saúde.


Fonte: https://cannabishealthnews.co.uk/2024/07/30/medical-cannabis-for-elderly-patients-everything-you-need-to-know/?trk=feed_main-feed-card_feed-article-content

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